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Porque as coisas parecem que não mudam no Brasil?

Parece que vem crise e vai crise e a situação  não muda o suficiente para que sintamos um pouco de satisfatoriedade.

Ao abrir uma rede social hoje, me deparei com um vídeo gravado por um parceiro acerca da quebra de contrato por uma empresa internacional. No vídeo, ele relata o ocorrido e vou deixar abaixo para que entendam. 

Ver os comentários de pessoas defendendo a pratica de contrabando e inclusive fazendo pedidos de produtos nos deixa perplexo. Esse tipo de gente é minoria ou seria a maioria? Eu creio que seja a minoria dos brasileiros que pensam assim, porém esses não tem mais vergonha de se expor. Falam abertamente e com orgulho de que compram contrabando. É a lei de Gerson colocada em prática.

A questão me fez relembrar de nossa trajetória e de tudo pelo que já passamos pra chegar ate aqui. Mas onde será esse aqui?

Começamos a empresa a 12 anos atras e de lá pra cá, vimos inúmeras outras empresas surgirem com muitas propostas que julgavam inovadoras e que não duraram muito. Algumas surgiam copiando nossos produtos e fazendo com matéria prima inferior porém dizendo que era superior e assim conseguiu por um tempo pegar alguns incautos. Até hoje isso acontece e acredito que pareça ser normal. A pessoa"acha" que sabe fazer, "acha" que entende da coisa e num dado momento vai ver que não sabe. Nesse ponto ela já gastou dinheiro, tempo de vida e se tiver sorte consegue sair só com isso e não mais dívida do que entrou.

Ai se você é um dos que usam a lei de Gerson vai dizer. "Ah! é livre mercado e as pessoas compram de quem vende mais barato." E eu te digo, ledo engado o seu ou você é mal caráter mesmo. Não existe almoço grátis. Se você comprou um produto abaixo do que ele deveria ser vendido para manter a produção, alguém esta pagando a sua conta, seja os funcionários dessa empresa no brasil ou no exterior. Todo mundo quer ganhar mais, mas não quer pagar a mais para os outros e colocam a culpa nos empresários como se esses estivessem ricos e milionários. Acha que se fosse assim eu manteria a minha empresa? colocaria no fundo de investimento e viveria de juros e dividendos e não acordaria cedo pra trabalhar todo santo dia. 

Todos esses 58% de empresa que fecham em 5 anos como alega o SEBRAE ficaram ricos as custas dos outros. Não amigo, ficaram mais pobres e muitas vezes nem vão conseguir se erguer.

Outro dia mesmo ouvi de um possível consumidor escondido atras de uma rede social, que nossos produtos eram fabricados em fundo de quintal. Isso me fez pensar. Ou esse cara é um desses concorrentes que se achavam conhecedores do mercado e esta amargando prejuízos e quer levantar informações erradas e convencer outros como ele a não comprar, ou é um consumidor com padrão de qualidade muito alto para o planeta terra. Acredito que seja o primeiro.

Bom, mas voltando ao vídeo postado pelo amigo empresario, lembrei de histórias similares que passamos, uma, duas e até três vezes antes de aprender. É aprender sim. Aprendemos que empresários do mal existem ao redor do mundo e não só no Brasil. Que a falta de ética nos negócios, vem de grandes marcas também e não só de pequenas.

Na verdade, essas marcas são feitas de pessoas e são elas as responsáveis por esse tipo de conduta. Não foi  a PETROBRAS que corrompeu o país, foram as pessoas. A empresa continua lá, já as pessoas, algumas presas, outras destruídas e o país a deriva.

Quando iniciamos nossas importações, acreditávamos que com os estrangeiros não seria necessário um contrato. Que eram pessoas de palavra e que o que era dito não precisava ser escrito. ledo engano. Hoje vejo que nem com contrato se respeita alguma coisa.

Iniciamos com muito entusiasmo. Vamos importar produtos de qualidade e ofertar ao policial brasileiro. Existem boas marcas de produtos lá fora e vamos buscar pra atender esse mercado, pensava eu na época. Começamos as tratativas para importar. Como disse não pensava em contrato pois acreditava que era o homem que negociava para essas marcas que tinha a palavra e ela me bastava.

Nossa primeira marca a ser importada foi a ESS - fabricantes de óculos balísticos. Eles tinham um distribuidor e só se poderia comprar através deles. Pensei, quem bom, são honrados e é isso que procuro. Não roem a corda. Vamos fazer um bom trabalho no Brasil e teremos bons parceiros. Negociamos com eles uma distribuição no Brasil de forma exclusiva o que foi aceito. E....é...não fizemos contrato.

Importamos e começamos a fazer o marketing dos produtos. Nosso pedido foi pequeno e foi uma alegria poder colocar tudo no porta malas de nosso carro toda a carga importada. Duas caixas. Fui feliz ao aeroporto pegar a carga na Infraero. Fotos, vídeos, material de publicidade foram feitos, produtos distribuídos como patrocínio para serem usados por policiais. Muito dinheiro e energia gastos para iniciar a marca no Brasil. Tinha muito trabalho a ser feito até que as vendas iniciassem de verdade e estávamos dispostos a fazer.

Quem inicia uma marca seja nova ou distribuindo, sabe o trabalho que dá. Não é simplesmente colocar o produto na prateleira e esse se vende sozinho. Isso não existe. 

Com a visibilidade promovida na época, conseguimos abrir o mercado e já tinham algumas lojas com os produtos, mas quando você semeia, não escolhe só semente boa. Acaba atraindo as pragas também. Começou a chover de email no distribuidor querendo comprar direto. Uns dizendo que eram as maiores lojas no Brasil e que iriam comprar zilhões. Não demorou muito e começaram a aparecer outros "distribuidores" no Brasil. Você pode dizer, "Ah mas isso é bom porque os preços baixam." Amigo, o mesmo preço que a gente pagava, os mesmos impostos e os mesmos custos, esses outros empresários iriam ter. A única coisa que não iriam ter era que investir em marketing como nós investimos pois o mercado já estava aberto. Ou seja, o custo dele com certeza seria menor.

Fomos atras do distribuidor que simplesmente disse que não disse e paramos de importar. Quando paramos tudo, a marca continuou vendendo ainda durante um tempo. Procure hoje no Brasil a marca e verá que ela não existe. Todos esses outros caras que eram os grandes lojistas no Brasil e que foram lá buscar a galinha dos ovos de ouro, só permaneceram no mercado enquanto os trouxas como nós fazíamos o marketing. Quando eles precisaram fazer e pagar por isso, desistiram. Ficou caro pra eles, o que já era pra nós. 

Mas aprendemos. Não! não aprendemos ainda. Achamos que era só esse distribuidor, que como não era diretamente com a marca isso teria acontecido e fomos buscar outra marca e agora de lanternas. Começamos da mesma forma o trabalho com a SUREFIRE. Uma das melhores se não a melhor lanterna tática no mundo. Fizemos a mesma coisa e daqui a pouco já tinha outros distribuidores no Brasil. Paramos e a marca sumiu das lojas.

A última foi a Mechanix, fabricante de luvas. Essa, a empresa que foi até Las Vegas na Shot Show para mostrar que eram os caras, até hoje não trouxe um par sequer de luvas ao Brasil. Ficamos com mais de 10 mil pares de luvas em estoque na época e hoje vendemos somente na loja virtual esse material restante. Foi com essa que aprendemos.

A culpa é das marcas? Não, era nossa que não entendia como funciona esse mercado. São grandes marcas com grandes produtos mas composta por pessoas e se escrevo isso é para que você que esta começando não entre de cabeça e passe pelo mesmo que passamos. Aprenda com os erros dos outros, afinal, você não terá tempo de cometer todos eles e aprender.

"Os sábios aprendem com os erros dos outros, os tolos com os próprios erros e os idiotas não aprendem nunca."

Provérbio Chinês

Nós podemos dizer que fomos tolos. Tolos sim pois nunca ouvimos os que diziam que o mercado era assim. A gente queria fazer diferente, queria ser diferente. Acredito que a maioria das empresas que fecham suas portas com boas ideias queriam ser diferente. Tinham praticas diferentes. Foram para o campo de batalha desarmados com a intenção de dialogar. Mas ali só tem sangue.

Vai empreender? prepare-se para a batalha

Esse tipo de comportamento há também em outras empresas do setor ao qual buscam anexas suas marcas a sua para surfar a sua onda. Principalmente prestadores de serviço e geradores de conteúdo. Recebemos inúmeros pedidos de patrocínio e apoio de gente que nunca sequer comprou um produto seu mas que a partir de agora será seu maior consumidor se você enviar R$ 5.000,00 para seu evento. Claro que existem os bons e esses se perdem no meio de tantos ruins e acabam não indo pra frente pois você fica com os dois pés atras ao conversarem com você.

Acaba o bom pagando pelo ruim. Acaba que bons projetos, boas marcas, boas pessoas não recebem a devida atenção devido a essas ruins que infestam qualquer setor.

Uma das parcerias que me orgulho foi com Marcio Batata do canal Guia do Sobrevivente. Um cara que honra as calças que veste e já fez muito mais por nós do que nós por ele. Uma cara que indicamos a todos que nos pedem referencia. Um cara que não roi a corda e cumpre com o que fala. Esse deveria ser o exemplo de gerador de conteúdo. deveria ser referencia para todo e qualquer pessoa que pensasse em começar a produzir conteúdo.

Outro que comeu o pão que o diabo amassou no brasil foi Waldevir Junior da Fight or Die. Começou de baixo e fomos nos dando suporte até que certo dia ele já estava sendo conhecido. Nesse dia, foi quando surgiram inúmeros outros parceiros com propostas arrasadoras. qual deles manteve a promessa? Nenhum. Hoje, ele esta no EUA e se dando bem. Temos orgulho de ter participado do seu crescimento.

Lojas como a ProAdventure de Belo Horizonte e seu proprietário Gabriel Filizzola, que conhecemos desde o início são exemplos de pessoas que se sacrificaram para manter seus negócios operando no Brasil. 

Claro que tudo isso foi aprendizado e nos preparou para atuar nesse campo de batalha. Foi um grande treinamento e saímos vivos.

Aprendemos a classificar melhor nossos parceiros, a classificar melhor as marcas pela qual vamos lutar e até as batalhas. Não entramos mais em lutas que não serão justas. Continuamos a fazer o nosso e bem feito para aqueles que como nós vivem pelo código. fazemos para aqueles que foram pra rua com o sentimento de lutar por melhorias para todos e não somente para sí mesmos. Para aqueles que sabem os custos das coisas que são produzidas no país e sabem que são pessoas que estão por trás de cada coisa produzida. Que essa pessoa merece tanto quanto você estar aqui e merece ser bem tratada. merece um salario digno, merece um trabalho digno e quando você compra contrabando, quando você compra o produto furtado é ela que você esta lesando. 

Não são somente 58% de empresas que fecham, são 58% dos sonhos desfeitos. De sementes que não vingaram pois foram cortadas ao nascer. 

Me enche de orgulho quando vejo a fabrica com a maioria dos funcionários hoje trabalhando. Gente que veio a pé de suas casas, gente que se sacrifica pelo que acredita, gente que não usou a greve dos caminhoneiros para ter um feriado alongado sobre o pretexto de estar ajudando o Brasil.  

São essas vozes que ouvimos próximo ao ouvido o "To junto, To junto, To junto" para quem levantamos todos os dias pela manha. 

Me solidarizo com a Prohunters empresa que gerou a necessidade de escrever esse texto e sei qual o sentimento pelo qual estão passando. Continuem, fiquem mais fortes e não desistam pois o Brasil precisa de mais imparáveis.

Ainda estamos aqui
Written by Samuel Formento

Ex policial Militar, CEO da Warfare - Live By The Code e um sobrevivente como você..


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