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Capítulo 6 – Como funciona a resistência à abrasão do cordura

Abrasão cordura
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Abrasão cordura

a abrasão é considerada um dos melhores indicadores da durabilidade de um equipamento.

Se existisse apenas uma característica capaz de determinar a vida útil de um equipamento operacional, muito provavelmente ela seria a resistência à abrasão.

Essa afirmação pode parecer exagerada à primeira vista, mas basta observar como um equipamento realmente trabalha para compreender sua importância. Durante uma única jornada de serviço, um colete tático desliza contra o uniforme, uma mochila é apoiada repetidas vezes sobre concreto ou asfalto, bolsos entram em contato constante com o cinto, o operador embarca e desembarca da viatura inúmeras vezes, atravessa vegetação, encosta em paredes, passa por portas estreitas e arrasta parte do equipamento sobre diferentes superfícies. Nenhuma dessas situações representa, isoladamente, um grande esforço. Entretanto, quando repetidas milhares de vezes ao longo de meses ou anos, tornam-se responsáveis pelo principal mecanismo de desgaste dos tecidos técnicos: a abrasão.

Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, a maioria dos equipamentos não chega ao fim de sua vida útil por causa de um grande rasgo ou de uma ruptura repentina. Na prática, o desgaste costuma acontecer de maneira lenta e praticamente imperceptível. A cada contato, pequenas partículas da superfície do tecido são removidas pelo atrito. Inicialmente esse desgaste ocorre apenas nas fibras mais externas. Com o passar do tempo, os filamentos começam a perder espessura, a estrutura da trama torna-se menos resistente e, somente depois de milhares de ciclos de uso, surgem furos, rompimentos ou perda significativa da integridade estrutural.

Esse processo recebe o nome de abrasão.

Na engenharia têxtil, abrasão é definida como o desgaste progressivo provocado pelo atrito repetitivo entre duas superfícies. Diferentemente do rasgo, que rompe o tecido em um único evento, ou da tração, que mede sua capacidade de suportar forças de alongamento, a abrasão atua silenciosamente durante toda a vida útil do equipamento. Ela representa o envelhecimento natural do material.

matindale

Quanto maior o número de ciclos suportados antes do aparecimento de danos significativos, maior tende a ser a resistência à abrasão daquele material. Entretanto, é importante compreender que os resultados obtidos em laboratório representam uma referência comparativa e não uma previsão exata da vida útil do equipamento. O desgaste real dependerá do ambiente de utilização, da intensidade de uso, da manutenção e da forma como o operador emprega seus equipamentos.

É justamente por isso que a Warfare dedica tanta atenção a esse ensaio. Um tecido que resiste bem ao rasgo, mas apresenta baixa resistência à abrasão, poderá perder sua capacidade operacional muito antes do esperado. Em contrapartida, um material capaz de suportar milhares de ciclos de desgaste tende a manter suas características estruturais por muito mais tempo, mesmo em ambientes extremamente severos.

Entretanto, é importante compreender que resistência à abrasão não depende apenas da fibra utilizada. Ela resulta da combinação entre diversos fatores, como a tenacidade do fio, a construção da trama, a densidade do tecido, os revestimentos, os acabamentos superficiais e a qualidade do processo produtivo. Em outras palavras, dois tecidos produzidos com o mesmo Denier podem apresentar comportamentos completamente diferentes quando submetidos ao mesmo ensaio de abrasão.

É exatamente por esse motivo que a Warfare nunca avalia um material apenas por sua ficha técnica. Antes de aprovar um tecido para utilização em nossos equipamentos, buscamos validar seu comportamento em laboratório utilizando normas reconhecidas internacionalmente.

 

Como a abrasão é medida?

Existem diferentes métodos para avaliar resistência à abrasão, sendo os ensaios Martindale, Taber e ASTM D3886 alguns dos mais utilizados pela indústria têxtil.

Embora cada metodologia utilize equipamentos e procedimentos específicos, todas possuem o mesmo objetivo: reproduzir, de forma acelerada e controlada, o desgaste que um tecido sofreria durante anos de utilização em campo.

Durante esses ensaios, a amostra é submetida a milhares de movimentos repetitivos contra um material abrasivo padronizado, sob carga controlada e condições previamente definidas pela norma técnica. Ao final do teste, são avaliados fatores como desgaste superficial, perda de massa, rompimento de fios ou alteração da aparência do tecido.

O resultado não representa exatamente quantos anos aquele equipamento irá durar, mas fornece uma base objetiva para comparar diferentes materiais em condições idênticas.

 

Evidência Warfare nº 002

Estabilidade superficial da CORDURA®

Um dos primeiros efeitos provocados pela abrasão é o aparecimento do chamado pilling, nome utilizado para descrever pequenas fibras soltas ou “bolinhas” que surgem na superfície do tecido após sucessivos atritos.

Embora o pilling não represente imediatamente uma perda de resistência estrutural, ele é um excelente indicador da estabilidade superficial do material. Quanto menor sua formação, maior tende a ser a capacidade do tecido de preservar sua aparência e sua integridade durante o uso contínuo.

Nos ensaios realizados para a Warfare utilizando o método Martindale, conforme a norma ISO 12945-2:2020, a amostra de CORDURA® manteve Nota 5, classificação máxima da escala de avaliação visual, durante todas as etapas do ensaio — 125, 500, 1.000, 2.000, 5.000 e 7.000 ciclos — sem apresentar qualquer alteração perceptível na superfície do tecido.

Esse resultado demonstra que a estrutura superficial das fibras permaneceu estável mesmo após milhares de ciclos de abrasão controlada.

 

Evidência Warfare nº 003

Resistência ao rompimento por abrasão

A aparência do tecido representa apenas parte da avaliação. O verdadeiro desafio começa quando o atrito deixa de atuar apenas sobre sua superfície e passa a comprometer sua estrutura interna.

Para avaliar esse comportamento, a Warfare submeteu o laminado de CORDURA®  Stealth a ensaio conforme a norma ASTM D3886, utilizando abrasivo padronizado, carga de uma libra e critérios definidos para rompimento do primeiro fio da estrutura.

O resultado demonstrou que o tecido suportou aproximadamente 6.900 ciclos de abrasão antes da ocorrência do primeiro rompimento estrutural.

É importante compreender que 6.900 ciclos não significam 6.900 utilizações. Cada ciclo corresponde a um movimento padronizado realizado pelo equipamento de ensaio sob condições extremamente controladas. O objetivo não é simular exatamente o uso real, mas permitir comparações objetivas entre diferentes materiais.

 

Evidência Warfare nº 004

A evolução dos laminados

A engenharia têxtil evoluiu significativamente nos últimos anos, especialmente com o desenvolvimento dos tecidos laminados destinados ao corte a laser.

Ensaios mais recentes realizados em nosso tecido de poliamida STEALTH para corte a laser conforme a norma ASTM D4966 demonstraram um desempenho ainda mais expressivo.

Após 50.000 ciclos Martindale, o material apresentou apenas 0,04% de perda de massa, sem ocorrência de rompimento dos fios durante o ensaio.

Esse resultado evidencia como os laminados modernos conseguem combinar leveza, estabilidade dimensional e elevada resistência ao desgaste, permitindo o desenvolvimento de equipamentos mais leves sem comprometer sua durabilidade.
A warfare esta mudando toda a sua linha de produtos para receber esse novo laminado e todos os produtos a partir de julho de 2026 passam a ser produzidos com esse laminado.

 

Guarda Municipal

O que esses resultados realmente significam?

Uma dúvida bastante comum consiste em imaginar que um tecido que suporta maior número de ciclos será automaticamente o melhor para qualquer aplicação.

A realidade é mais complexa.

A resistência à abrasão representa apenas um dos critérios avaliados pela Engenharia Warfare. Um equipamento operacional precisa encontrar equilíbrio entre resistência, peso, flexibilidade, ergonomia, conforto, facilidade de fabricação e desempenho em campo.

Aumentar indefinidamente a resistência de um material pode significar aumento de peso, perda de flexibilidade e redução do conforto durante o uso prolongado. Por essa razão, nosso trabalho nunca consiste em selecionar o tecido mais resistente disponível, mas aquele que oferece o melhor conjunto de características para resolver um problema específico.

Na Warfare acreditamos que um excelente equipamento não é aquele que apresenta o maior número em um ensaio de laboratório. É aquele que continua cumprindo sua missão depois de anos enfrentando atrito, desgaste, intempéries e uso intenso sem comprometer a eficiência do operador.

É exatamente por isso que tratamos a abrasão como um indicador de confiabilidade e não apenas como um número em uma ficha técnica.

Porque, no ambiente operacional, o desgaste nunca acontece de uma única vez.

Ele acontece um ciclo após o outro.

E é justamente nesses milhares de pequenos ciclos que a verdadeira qualidade de um tecido é revelada.

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  • Perguntas mais frequentes

    É a capacidade que um tecido possui de suportar o desgaste provocado pelo atrito repetitivo contra outras superfícies sem perder sua integridade estrutural, aparência ou funcionalidade.

    Ela é avaliada por meio de ensaios laboratoriais padronizados, como Martindale, Taber e ASTM D3886, que submetem o tecido a milhares de ciclos de atrito sob condições controladas para comparar objetivamente seu desempenho.

    Pilling é a formação de pequenas fibras ou “bolinhas” na superfície do tecido após sucessivos atritos. Embora não represente imediatamente uma perda de resistência estrutural, ele indica a estabilidade superficial das fibras e a capacidade do tecido de preservar sua aparência durante o uso.

    Os ensaios realizados em laboratórios SENAI mostraram que a CORDURA® manteve classificação máxima (Nota 5) no ensaio de pilling Martindale até 7.000 ciclos, sem alterações visíveis, e que um laminado de CORDURA® suportou aproximadamente 6.900 ciclos de abrasão antes do rompimento do primeiro fio. Ensaios mais recentes com laminado para corte a laser registraram apenas 0,04% de perda de massa após 50.000 ciclos Martindale, sem rompimento dos fios.

    Não. A resistência à abrasão é apenas uma das características avaliadas durante o desenvolvimento de um equipamento. A Engenharia Warfare considera também peso, ergonomia, flexibilidade, conforto, resistência ao rasgo, tração e finalidade operacional para selecionar o material mais adequado para cada aplicação.