
Se a abrasão representa o desgaste silencioso de um tecido ao longo dos anos, o rasgo representa sua capacidade de sobreviver quando esse desgaste deixa de ser gradual e passa a atuar de forma concentrada. Em operações reais, essa situação acontece com muito mais frequência do que a maioria das pessoas imagina. Um equipamento pode prender em uma cerca, enroscar em ferragens, galhos, destroços, portas metálicas, cantos vivos de concreto ou qualquer outro obstáculo presente no ambiente operacional. Quando isso acontece, o tecido deixa de sofrer apenas atrito e passa a enfrentar uma força localizada que tenta abrir sua estrutura.
É exatamente nesse momento que entra em ação uma das propriedades mais importantes da engenharia têxtil: a resistência ao rasgo.
Ao contrário da resistência à tração, que mede a força necessária para romper um corpo de prova íntegro, a resistência ao rasgo avalia o comportamento do tecido quando um corte ou pequena abertura já existe. Esse detalhe faz toda a diferença. Um equipamento raramente falha porque alguém tenta puxá-lo uniformemente em duas direções opostas. Na prática, a maioria dos danos começa com um pequeno corte, uma perfuração ou um desgaste localizado. A partir desse ponto, toda a carga passa a concentrar-se nas extremidades dessa abertura, favorecendo a propagação do rasgo.

Em termos simples, a resistência ao rasgo mede a capacidade do tecido de impedir que um pequeno dano se transforme rapidamente em uma grande falha estrutural.
Esse conceito possui enorme importância para equipamentos militares e policiais. Imagine um bolso modular que prende em uma cerca de arame durante uma progressão, uma mochila que enrosca em estruturas metálicas durante uma evacuação ou um plate carrier submetido a esforços intensos durante uma extração de vítima. Em todos esses casos, a diferença entre um tecido comum e um tecido de engenharia pode significar apenas um pequeno corte superficial ou a perda completa do equipamento.
Por essa razão, os fabricantes de tecidos técnicos dedicam grande atenção aos ensaios de resistência ao rasgo. Entre os métodos mais utilizados está a norma ASTM D2261, conhecida como Single Tear Method, na qual um corpo de prova previamente preparado é submetido à tração controlada até que o rasgo se propague. O equipamento registra continuamente a força necessária para impedir esse avanço, permitindo comparar objetivamente diferentes materiais.
Na Warfare, acreditamos que esse tipo de ensaio representa muito mais do que um número em uma ficha técnica. Ele demonstra como um tecido se comportará quando submetido a uma das situações mais críticas do ambiente operacional: continuar íntegro mesmo depois que o dano já começou.
Evidência Warfare nº 005
Resistência ao rasgo da CORDURA® 500D
Ensaios realizados conforme a norma ASTM D2261:2017 demonstraram que a CORDURA® 500D utilizada como referência apresentou resistência média ao rasgo de 95,45 N na trama e 124,49 N no urdume.
Esses valores representam um excelente desempenho para um tecido amplamente utilizado em equipamentos militares e policiais no mundo inteiro.

Evidência Warfare nº 006
O nascimento da Cordura Defender
Quando iniciamos o desenvolvimento da Cordura Defender em parceria com a Penteado enterprises, nosso objetivo nunca foi simplesmente criar um tecido mais pesado ou visualmente mais robusto. O desafio era muito maior: desenvolver um material capaz de aumentar significativamente a resistência estrutural sem perder as características que tornaram a CORDURA® uma referência mundial.
Os ensaios realizados conforme a mesma metodologia ASTM D2261 demonstraram que a Cordura Defender atingiu 405,84 N na trama e 348,45 N no urdume.
Comparando os resultados obtidos, observamos um ganho extremamente expressivo.
|
Material |
Trama |
Urdume |
|
CORDURA® 500D |
95,45 N |
124,49 N |
|
Cordura Defender |
405,84 N |
348,45 N |
Isso representa aproximadamente:
- 4,25 vezes mais resistência ao rasgo na trama.
- 2,8 vezes mais resistência ao rasgo no urdume.
Esses resultados demonstram que a evolução da engenharia não depende apenas da escolha de uma matéria-prima mais resistente, mas da capacidade de combinar diferentes materiais, estruturas e processos produtivos para criar soluções que respondam a problemas específicos do ambiente operacional.

O que esses números significam na prática?
Uma força de 400 N corresponde aproximadamente a 41 kgf aplicados sobre o tecido antes da propagação do rasgo.
Isso significa que, diante de um corte inicial ou de um enrosco em campo, a Cordura Defender oferece uma capacidade significativamente maior de impedir que esse dano evolua rapidamente, aumentando a margem de segurança e prolongando a vida útil do equipamento.
Entretanto, é importante destacar que nenhum tecido é indestrutível. O objetivo da engenharia nunca foi impedir completamente a ocorrência de danos, mas retardar sua propagação, permitindo que o equipamento continue funcional mesmo após sofrer agressões localizadas.
A visão da Engenharia Warfare
Na Warfare, nunca buscamos desenvolver o tecido mais resistente do mercado apenas para produzir números impressionantes em laboratório. Nosso compromisso é desenvolver materiais capazes de resolver problemas reais enfrentados pelos operadores.
A resistência ao rasgo representa apenas uma das dezenas de características avaliadas durante o desenvolvimento de um equipamento. Ela precisa coexistir com resistência à abrasão, baixo peso, ergonomia, flexibilidade, estabilidade dimensional, facilidade de fabricação e conforto durante o uso prolongado.
É justamente esse equilíbrio que transforma um material em uma solução de engenharia.
Porque, no ambiente operacional, o tecido ideal não é aquele que apresenta apenas o maior resultado em um único ensaio.
É aquele que continua protegendo o operador depois que a missão começa.



