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Capítulo 8 – Cordura e a Resistência à tração

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Se a resistência à abrasão determina quanto tempo um tecido continuará suportando o desgaste provocado pelo uso diário e a resistência ao rasgo mede sua capacidade de impedir que pequenos danos se transformem em grandes falhas estruturais, a resistência à tração responde a uma pergunta ainda mais fundamental: quanto esforço um tecido consegue suportar antes de romper completamente?

Essa característica está presente em praticamente todas as situações enfrentadas por um equipamento operacional. Sempre que um operador ajusta um colete tático ou plate carrier, prende um bolso MOLLE, ergue uma mochila completamente carregada, arrasta um equipamento pelo solo ou utiliza uma alça de resgate, o tecido passa a trabalhar sob tração. Em alguns casos essas cargas são pequenas e repetitivas. Em outros, tornam-se intensas e concentradas, exigindo que as fibras distribuam enormes esforços sem perder sua integridade.

Na engenharia dos materiais, tração representa a força aplicada em sentidos opostos sobre um corpo de prova, tentando alongá-lo até o ponto de ruptura. Diferentemente do rasgo, onde o dano já existe e precisa ser impedido de continuar avançando, o ensaio de tração avalia um tecido íntegro. Seu objetivo é medir a carga máxima que ele consegue suportar antes que sua estrutura deixe de resistir.

Essa informação possui enorme importância porque muitos componentes de um equipamento trabalham constantemente sob esse tipo de solicitação. Costuras, alças, sistemas MOLLE, pontos de ancoragem, regiões onde há maior concentração de carga e até o próprio tecido sofrem esforços permanentes durante toda a vida útil do equipamento. Um material que apresenta baixa resistência à tração pode suportar perfeitamente o uso cotidiano durante algum tempo, mas tende a romper quando submetido a sobrecargas inesperadas ou situações extremas.

 

Entretanto, a engenharia não procura apenas desenvolver tecidos extremamente resistentes. Ela busca compreender como esses materiais se comportam enquanto suportam a carga. Um tecido pode apresentar elevada resistência, mas romper de maneira abrupta. Outro pode alongar excessivamente antes da ruptura, comprometendo estabilidade e ergonomia. É justamente por isso que os ensaios de tração normalmente avaliam duas propriedades simultaneamente: a força máxima suportada pelo tecido e o percentual de alongamento apresentado antes do rompimento.

Essas duas características trabalham em conjunto. A resistência indica quanto esforço o material suporta. O alongamento revela quanto ele se deforma antes de romper. Encontrar o equilíbrio entre ambas representa um dos maiores desafios da engenharia têxtil.

Como a resistência à tração é medida?

A indústria utiliza diferentes metodologias para avaliar resistência à tração, sendo a ABNT NBR 11912 e a ISO 13934-1 algumas das mais empregadas para tecidos planos.

Durante o ensaio, uma amostra padronizada é presa por duas garras instaladas em um dinamômetro. Em seguida, essas garras se afastam lentamente até provocar a ruptura completa do corpo de prova. Ao longo de todo o processo, o equipamento registra continuamente a força aplicada e o alongamento do tecido, produzindo uma curva que permite compreender seu comportamento mecânico.

O resultado normalmente é apresentado em Newton (N) ou quilograma-força (kgf), unidades que representam a carga máxima suportada pelo material antes do rompimento.

EEvidência Warfare nº 007 - Resistência à tração da CORDURA® 500D

Os ensaios realizados conforme a ABNT NBR 11912:2016 demonstraram que a CORDURA® 500D apresentou resistência média de 933 N na trama e 913 N no urdume, com alongamentos de aproximadamente 31,66% e 35,88%, respectivamente.

Esses valores explicam por que a CORDURA® 500D tornou-se um dos materiais mais utilizados em equipamentos militares modernos: ela combina elevada resistência mecânica com boa capacidade de deformação antes da ruptura, contribuindo para absorver esforços sem falhas abruptas.

Evidência Warfare nº 008 - O desempenho da CORDURA® 1000D

Quando analisamos a CORDURA® 1000D, observamos um aumento significativo na resistência à tração.

Os ensaios laboratoriais registraram aproximadamente 1.999 N na trama e 2.409 N no urdume, mantendo alongamentos próximos de 30%.

Esse resultado confirma que o aumento do Denier influencia a capacidade de suportar cargas, mas também reforça um conceito discutido anteriormente: resistência nunca deve ser analisada isoladamente. O ganho estrutural vem acompanhado de aumento de massa, espessura e rigidez.

Evidência Warfare nº 009 - A evolução da Engenharia Warfare

Durante o desenvolvimento da Cordura Defender, nosso objetivo não era simplesmente substituir um tecido existente, mas construir uma plataforma estrutural completamente diferente.

Os ensaios demonstraram resultados bastante expressivos.

Na direção da trama, o material atingiu aproximadamente 4.504 N, quase cinco vezes o desempenho observado na CORDURA® 500D convencional.

Esse resultado evidencia como a combinação entre laminados estruturais, engenharia de materiais e novas construções têxteis pode elevar significativamente a capacidade do tecido de suportar cargas intensas.

Evidência Warfare nº 010 - O futuro dos laminados

Os tecidos de poliamida destinados ao corte a laser representam uma nova geração de materiais.

Ensaios realizados conforme a NBR ISO 13934-1 registraram aproximadamente 6.346 N no urdume e 6.190 N na trama, mantendo alongamentos inferiores a 5%.

Esses números revelam uma mudança importante na engenharia dos tecidos técnicos.

Enquanto materiais tradicionais combinam resistência elevada com maior elasticidade, os novos laminados passam a oferecer resistência extremamente elevada associada a pequenas deformações, característica particularmente interessante para sistemas estruturais, plataformas MOLLE cortadas a laser e equipamentos onde estabilidade dimensional é fundamental.

O que esses resultados realmente significam?

À primeira vista, comparar números como 900 N, 2.400 N ou 6.300 N pode parecer apenas uma disputa por quem possui o maior valor em laboratório.

Na Engenharia Warfare, enxergamos esses dados de maneira diferente.

Cada tecido foi desenvolvido para atender uma missão específica. A CORDURA® 500D continua sendo uma excelente solução para equipamentos que exigem leveza e mobilidade. A CORDURA® 1000D oferece maior capacidade estrutural para aplicações mais severas. Já os laminados modernos inauguram uma nova categoria de materiais, onde resistência, estabilidade e compatibilidade com processos como corte a laser passam a ocupar papel central no desenvolvimento de equipamentos operacionais.

Por isso, nunca perguntamos qual tecido suporta a maior carga e sim qual deles resolve melhor o problema que estamos tentando solucionar.

Essa diferença resume toda a filosofia da Engenharia Warfare porque resistência, por si só, nunca foi o objetivo final. O verdadeiro objetivo sempre foi transformar resistência em desempenho operacional.

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  • Perguntas mais frequentes

    É a capacidade que o tecido possui de suportar forças aplicadas em sentidos opostos antes de romper. Esse ensaio mede a carga máxima suportada pelo material e o quanto ele se alonga antes da ruptura.

    A resistência à tração avalia um tecido íntegro sendo puxado até romper. Já a resistência ao rasgo mede a força necessária para impedir que um corte ou dano já existente continue se propagando.

    Porque não basta saber quanto um tecido suporta; é importante entender como ele se comporta enquanto suporta essa carga. O alongamento indica a capacidade do material de deformar-se antes da ruptura, influenciando conforto, estabilidade e absorção de esforços.

    Os laudos laboratoriais mostraram que a CORDURA® 500D apresentou aproximadamente 933 N de resistência na trama, enquanto a CORDURA® 1000D atingiu cerca de 1.999 N e a Cordura Defender aproximadamente 4.504 N na mesma direção. Os laminados de última geração superaram 6.300 N, demonstrando a evolução contínua da engenharia dos materiais.

    Não. A Engenharia Warfare considera resistência, alongamento, abrasão, rasgo, peso, ergonomia e finalidade operacional. O melhor tecido não é aquele que suporta a maior carga em laboratório, mas aquele que oferece o melhor equilíbrio entre desempenho e funcionalidade para a missão que deverá cumprir.